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CAUSOS

  • 8 de ago. de 2016
  • 1 min de leitura

João Grã-Fino, muito papo e pouco sucesso

Salto teve algumas figuras exóticas, interessantes, engraçadas, e João Grã-Fino era uma delas. Ele se achava o máximo e tentava ser o que não era, com o propósito de aparecer bem perante os demais moradores da cidade.

Era um simples operário, mas fazia questão de viver como se fosse rico. Seu sonho era um dia atuar numa grande equipe de futebol, mas era um verdadeiro perna-de-pau, que só era escalado em alguns times da cidade porque fornecia a bola, um artigo raro naqueles tempos (décadas de 1940 e 1950).

DESENHO

Numa certa época pediu para treinar na Saltense, que tinha fama de grande equipe, disputando os principais campeonatos da região. Autorizaram, mas ele ficava a maior parte do tempo assistindo aos outros treinar e só entrava em campo quando não havia número suficiente de jogadores. Tinha o prazer, entretanto, de, ao sair da Brasital às 4 e meia da tarde, dizer para todos a quem encontrava: “Vou treinar na Saltense!”

Um certo dia não se ouviu mais falar de João Grã-Fino, até que uma certa ocasião ele reapareceu, acompanhando uma troupe mambembe de rodeio. Na sua estreia, num terreno da periferia da cidade, não resistiu à tentação de um discurso para as poucas pessoas presentes, antes do início do espetáculo. Fez pose e declarou:

- Distinto público! Sai de Salto como um simples futebolista e hoje volto como toureiro!

Lá do fundo da plateia um gaiato gritou:

- Continuas na pior, hein João?

 
 
 

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