POLÍTICA SALTENSE
- 10 de out. de 2016
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Em plena crise do petróleo, prefeito vai a Recife de Landau
O segundo mandato do prefeito Jesuíno Ruy foi marcado por vários episódios na disputa situação x oposição. Ele tinha uma oposição ferrenha na Câmara e no jornal Taperá um articulista se manifestava quase toda semana, fazendo-lhe pesadas críticas. E ele – reconheça-se – dava razão para isso em algumas oportunidades.
Isso aconteceu, por exemplo, em dezembro de 1979, quando foi participar de um Congresso Nacional de Municípios, em Recife, Pernambuco. Em plena crise do petróleo, comandada pelo aiatolá Khomeini, do Irã, Jesuíno e o vereador Alcides Victorino de Almeida viajaram, com suas respectivas esposas, para a capital pernambucana, percorrendo 3.000 quilômetros, num Landau, “carrão” da Ford que servia ao prefeito saltense.

Segundo o articulista do Taperá, num artigo publicado na edição do dia 5 de janeiro de 1980, esse carro fazia 4 quilômetros por litro, o que teria proporcionado um consumo de 750 litros de combustível na ida e mais 750 litros na volta, atingindo a despesa cerca de 6 mil reais, em valores atuais (na época, com a crise do petróleo, o preço da gasolina era alto: 23 cruzeiros o litro).
“Pilatos” era o pseudônimo utilizado pelo articulista do Taperá, o qual comentou a viagem de Jesuíno no artigo sob o título “O prefeito e a gasolina”, no qual dizia, dentre outras coisas, que o mais grave é que Jesuíno, “cansado pela longa viagem de Landau e o estafante calor do Nordeste brasileiro, comunicou-se com seu motorista, para que o mesmo tomasse um avião até Recife, a fim de trazer o ‘carrão’ de volta, visto que o alcaide não tinha condições físicas de dirigir de volta mais 3.000 quilômetros, mesmo com o refrescante ar condicionado do Landau” (na verdade não era Jesuíno quem dirigia, mas o vereador Alcides).
“Cumprida a determinação – prossegue o articulista -, o prefeito voltou de avião e seu motorista veio dirigindo o famoso Landau durante os 3.000 quilômetros de volta. Tal passeio nos faz lembrar os contos de ‘Mil e uma Noites’, ou os passeios mirabolantes do xá do Irã ou algum soberano do petróleo. Acreditamos mesmo que nem um prefeito de metrópole (...) empreenderam uma viagem de recreio tão custosa para o povo. É a viagem mais longa de que se tem notícia na história de todos os prefeitos que já governaram Salto”.
A história completa contada por um participante
O articulista “Pilatos” contou a história dessa viagem, mas faltaram muitos detalhes. Um dos participantes, o vereador Alcides Victorino de Almeida (Cidão), nos contou, numa conversa particular, outros detalhes dela. Foi Cidão quem dirigiu o Landau na viagem de ida, que levou dois dias, pois fizeram diversas paradas, para fazer refeições e numa delas para repousar numa cidade do trecho. Ele contou um episódio ocorrido em Recife, que poucos conhecem:
Logo depois que chegaram à capital pernambucana, Jesuíno e Cidão foram até o local onde o Congresso dos Municípios acontecia e, ao deixar o prédio, notaram que uma equipe de TV filmava o carro dos saltenses. Cidão, muito esperto, já prevendo o que iria acontecer, avisou Jesuíno que iria “até ali” e logo se dirigiria ao veículo. O prefeito foi, então, até o carro, sendo logo abordado pela reportagem da TV Globo de Recife, que lhe perguntou se ele era o prefeito de Salto, cujo Landau estava estacionado naquele local e que estava sendo filmado. Sem imaginar qual a intenção da pergunta, Jesuíno disse que sim e então veio a segunda questão que o deixou sem saber o que dizer: “Como o senhor viaja cerca de 3.000 quilômetros, num carro que gasta tanta gasolina, numa época como essa de crise no petróleo?” Jesuíno tentou explicar, desconversou, mas evidentemente não tinha argumentos para se justificar. Cidão chegou a seguir, assumindo a direção do veículo de volta até o hotel onde estavam hospedados.
A história não parou aí. Cidão relata também que, conversando com o prefeito Jesuíno, este achou que seria um sacrifício muito grande voltar de Landau para Salto. Teve, então, a ideia de telefonar para Salto e pedir para seu motorista (Benedito Prado), que fosse de avião para Recife, a fim de buscar o carro, enquanto ele, Alcides e as respectivas esposas voltaram de avião para Salto.


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