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QUEM FOI QUEM

  • 2 de abr. de 2018
  • 2 min de leitura

Dr. Henrique Viscardi era realmente o “Médico dos Pobres”


Num breve regresso à Itália, o dr. Viscardi posa com seus filhos Marcos e Bruno, já adultos

O italiano Henrique Viscardi atuou em Salto numa época em que a população praticamente não tinha a quem recorrer para resolver seus problemas de saúde (final do século XIX e início do século XX). Ele ficou conhecido como “Médico dos Pobres” porque atendia a todos sem nada cobrar, pois a maioria das pessoas não tinha mesmo como pagar-lhe. E ainda como “Médico das Flores”, pelo amor que dedicava a elas. Nascido em Milão em 1858 viveu apenas 55 anos, pois faleceu em 1913. Formou-se em Medicina após ter cursado a Universidade de Pávia, em 1883. Logo no ano seguinte atuou como médico voluntário no combate ao surto de cólera que grassou em toda a Itália, sendo escalado para prestar socorros aos doentes do sul da Itália. Em 1886 passou a dirigir o Lazaretto que abrigava os atacados pela doença de Stradella. Por esse seu trabalho no setor, o médico recebeu várias medalhas atestando sua benemerência. 10 anos depois, em 1896, trabalhava na Cruz Vermelha Italiana, como capitão médico, durante a campanha dos italianos na África. Terminada a última batalha, chefiou o grupo de médicos que cuidaram dos 300 prisioneiros áscaris mutilados pelos abissínios, sendo agraciado pelo governo italiano com a Grande Medalha Guerra na África.

A “Casa de Pedra”, onde recentemente funcionou a Biblioteca Municipal, construída e que serviu de moradia para o dr. Viscardi

Veio para Salto em 1902, deixando dois filhos jovens na Itália, sendo contratado para dar assistência médica aos empregados das fábricas de tecidos implantadas pelo dr. José Galvão e dr. Barros Jr., antecessoras da Brasital S.A. Nessa época prestou relevantes serviços à comunidade saltense, especialmente no setor da Saúde. Sobressaiu-se no tratamento da ciática e do reumatismo, associando-se e responsabilizando-se pela cura desses males com os métodos aqui introduzidos pelo casal Giuseppe e Doralice Segabinassi e depois continuados pela família Milanez. Residiu por algum tempo no Hotel Saturno (prédio hoje ocupado pelo Conservatório Municipal) e depois numa casa que mandou construir nas proximidades do hotel, na mesma Rua 7 de Setembro (hoje Monsenhor Couto). Erigida sobre uma grande rocha, a “Casa da Pedra”, como ficou conhecida, foi sua moradia durante alguns anos, vivendo maritalmente com sua empregada doméstica, com quem teve dois filhos, que faleceram ainda em tenra idade. Além de atender os saltenses, ainda encontrava tempo para ser um dos dois médicos de Indaiatuba, onde foi reconhecido por um jornal local como “figura simpática de médico humano e bom, que preferia a medicina empírica à medicina propriamente científica, mais por amor à gente do que pelo exercício do sacerdócio”.

O enterro do dr. Henrique Viscardi foi um dos mais concorridos realizados na cidade: o povo reconhecido, foi dar-lhe o último adeus

Dr. Viscardi morreu pobre como vivera, porém cercado do carinho de toda a população saltense, que em seu túmulo mandou gravar, em italiano, um epitáfio que mostra toda sua admiração pelo amigo que se fora: “Nesta sepultura que é a expressão da dor e da admiração de todos, está mudo e frio o coração do dr. Henrique Viscardi, médico insigne que era todo caridade e que deixou de palpitar no dia 13 de dezembro de 1913”.

 
 
 

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