OPINIÕES
Hora do prefeito mostrar sua autoridade
Infelizmente, não só nas administrações municipais, mas também nas estaduais e federais, a retaliação política se faz presente de várias formas e uma das principais é a que penaliza as pessoas que manifestam sua preferência ou não são simpáticos aos que ocupam cargos eletivos. Salto não foge à regra, mas o lamentável é que isso continue ocorrendo, mesmo numa administração chefiada por um governante pessoalmente acima de qualquer suspeita, Laerte Sonsin Jr. Recentemente, um funcionário de uma empresa local foi dispensado, sendo como causa apontada a demissão do sogro de um vereador da oposição ao chefe do Executivo, Vinícius Saudino. A atitude teria sido tomada pelo secretário de Governo, Francisco Procópio e não seria do conhecimento de Laerte.
Primeiramente é preciso que se avalie o desconhecimento alegado pelo prefeito e se ele realmente só soube do fato quando repercutiu. Como envolve alguém como Laerte, cujo procedimento como cidadão sempre foi exemplar, deve-se acreditar que ele realmente não sabia da ação nefasta à sua administração, mas ficam sob suspeita outros que fazem parte do seu governo, pois não se pode admitir que o secretário de Governo agiu sem consultá-los. E se agiu, é uma razão mais do que suficiente para que ele sofra as consequências do seu ato.
Aliás, está na hora do chefe do Executivo mostrar sua autoridade e não ficar embromando sempre que surge algum fato que merece uma atitude mais drástica, como esse e os anteriores que envolvem o secretário Procópio. Sabe-se que este foi figura importante na campanha de Laerte, colaborando de forma considerável para que ele conseguisse ser eleito. Sua nomeação para a Secretaria de Governo foi um prêmio e não pode ser contestada, pois sempre pessoas que foram fundamentais em campanhas políticas e têm as qualidades necessárias, podem ser aproveitadas na administração. Só que no caso de Procópio, que parecia a pessoa certa para o lugar certo, isso não se confirmou. Desde a atitude condenável que tomou num bar da cidade, onde teria feito afirmações inadequadas para um membro importante do governo, está na hora do prefeito agir. Talvez relute em demiti-lo, o que é até explicável, pois se consideraria um mal agradecido. Isso, porém, não deve impedir que ele aja de forma mais enérgica, ou poderia, por exemplo, transferi-lo para um cargo de menor responsabilidade. Mantê-lo no cargo iria continuar contribuindo para que a administração não tenha alguém com livre trânsito com os vereadores, coisa que até agora não aconteceu. Pelo contrário, as relações do atual secretário com a Câmara são as piores possíveis e isso é altamente prejudicial para quem comanda o governo.
Um secretário de Governo, como afirmou o vereador Saudino, deve agir como se fosse um “1º ministro”, pois deve “filtrar” assuntos e problemas para não tomar o tempo todo do prefeito, tomar e apressar a solução para muitos casos. Gilmar Mazetto, apesar de ter sido muito criticado, era realmente um “1º ministro” na administração passada, às vezes até exagerando, parecendo a muitos mandar mais que o prefeito. Ele era muito mais esperto, experiente e capacitado na função, além de manter um bom entendimento e até o controle da maioria dos vereadores, impedindo que Geraldo Garcia sofresse derrotas seguidas, como tem acontecido com Laerte.
Depois de mais um fato lamentável como o recentemente ocorrido, está na hora do prefeito Laerte agir. Se não o fizer, mostrará que é um governante omisso, pois nem mesmo reprovou atitudes tomadas anteriormente pelos seus secretários, o que contribuiu para que eles se excedessem. É que sabem que encontrarão sempre compreensão e apoio quando não agirem corretamente, o que servirá de incentivo para outras atitudes condenáveis.
CÁ ENTRE NÓS
PAGAMENTOS DIGITAIS
Muito boa a iniciativa do vereador Fábio Jorge, que apresentou projeto de lei que institui na Estância Turística de Salto a possibilidade e o direito aos munícipes de acesso a meios e formas de pagamento digitais para quitação de débitos de natureza tributária e não-tributária. Só não vale para o pagamento da tarifa d’água e honorários advocatícios, mas, segundo o vereador é possível até mesmo o pagamento digital de multas municipais. Numa época em que a tecnologia permite facilidades no que se refere a pagamentos, recebimentos e outras providências, sem a necessidade da presença do interessado, que normalmente tem que enfrentar filas enormes, perdendo muito tempo, uma medida como essa é bem recebida e demonstra que o vereador, ao contrário do que muitos imaginam, tem condições de propor proposituras que facilitam a vida do cidadão.
PAVIMENTAÇÃO
Com a aprovação do projeto do Executivo, que autoriza um empréstimo de 20 milhões de reais para a pavimentação de vias públicas saltenses, através de asfaltamento ou bloquetes, ruas que há muitos anos são calçadas com paralelepípedos finalmente receberão o benefício. Para que isso aconteça, o município vai ter que se endividar mais, pois já paga um valor muito alto ao INSS, quando a Prefeitura achava que estava isenta de pagamentos e foi condenada a saldar seu débito, felizmente “a perder de vista”. Tem ainda os empréstimos já aprovados para obras no Jardim Santa Cruz, a fim de evitar que as enchentes causem prejuízos aos moradores e os 26 milhões destinados ao aproveitamento das águas do Rio Jundiaí, além de outros menores ou em negociação. Felizmente o município está tendo condições de pagar e até estaria sobrando dinheiro, pois o prefeito anunciou que pretende fechar o ano com 6 milhões de reais de saldo em caixa. Mas é bom não ir com muita sede ao pote, pois não se pode gastar mais do que se arrecada.
EMPREGOS
Salto passa por vacas magras em relação à criação de novos empregos. Neste ano a situação é crítica e não se pode culpar ainda a nova administração. Não se atrai grandes empresas da noite para o dia e nem se mantém as pessoas empregadas se a situação da economia nacional e local não corresponde à expectativa. Mas é necessário continuar cobrando, tanto o chefe do Executivo como seu secretário do Trabalho e Desenvolvimento Econômico. Aliás, este tem que se preocupar também com o Turismo e isso não lhe possibilita dedicação integral à tarefa de atrair investidores. Não seria o caso de repensar e dividir a Secretaria em duas?
LAR F. OZANAM
Estamos chegando ao final do ano e a intervenção no Lar Frederico Ozanam, que duraria 90 dias segundo o interventor anunciou na Câmara quando usou a tribuna, ainda não tem prazo para acabar. A situação financeira do Lar não deve estar boa e isso pode levar os invasores a achar o meio mais fácil (e desejado): vender parte do patrimônio. Se isso acontecer, o povo saltense deve se unir e expulsar esses “vendilhões do templo” de nosso município.
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