QUEM FOI QUEM
Florisbela Castro, matriarca de uma família tradicional, exemplar correta e admirada

Ao longo dos seus mais de 320 anos de existência Salto contou com algumas famílias que se destacaram pelo modo de proceder dos seus membros, constituindo-se em exemplos para toda a coletividade, pela forma correta, honesta e desinteressada com que sempre se portaram. A família Castro pode perfeitamente ser considerada na vanguarda de uma relação que ressalte essas qualidades, além de se constituir numa das mais tradicionais do município. Difícil destacar entre seus numerosos membros um que se sobreponha aos demais, pois todos eles sempre se portaram de forma a merecer o reconhecimento da população, não tendo sido um entrave o fato de serem da raça negra. Pelo contrário, isso os dignificou ainda mais, pois se sabe que os negros quase sempre são alvos do preconceito, ainda mais em tempos idos, quando eles tinham que se desdobrar para provar suas qualidades.
Poderíamos destacar vários integrantes da família Castro para merecerem ter sua biografia destacada nesta obra e a escolha acabou recaindo sobre a matriarca Florisbela Augusta da Silva Castro, que viveu 88 anos, grande parte deles (53 anos) em Salto. Ela nasceu na cidade de Taubaté, interior do Estado de São Paulo, no ano de 1885, segundo consta da obra “Biografias Afro-Saltenses”, que reproduz histórias e memórias da população negra de Salto, de autoria de Chell Oliveira. Era filha de Antonia Maria das Dores e de Antônio Agostinho da Silva.
Em 1920 ela chegou na cidade, depois de ter morado e trabalhado em Indaiatuba, na Fazenda Tombadouro. Foi atraída para Salto porque aqui havia oferta de trabalho, pois foi na época em que estava sendo construído o canal do Porto Góes, no Rio Tietê e seu esposo Ignácio Xavier de Castro conseguiu uma vaga, trabalhando na obra durante um bom tempo. Fixou-se na Vila Nova, especificamente na Rua Marechal Deodoro, numa casa de número 1042, que durante muitos anos foi a “sede” da numerosa família. Ali a númerosa prole foi criada e Florisbela dedicava-se não só como dona de casa, mas auxiliando seu marido Ignácio com a venda de flores, que cultivava com a colaboração de suas filhas no quintal de sua casa na Rua Marechal Deodoro. Era especialista no cultivo de lírios, que vendia em grande quantidade, principalmente em ocasiões especiais, como no Dia de Finados.


Homenagem – Após seu falecimento, ocorrido em 12 de julho de 1973, Florisbela foi homenageada pela Prefeitura de Salto, que deu seu nome a uma creche situada na Vila Flora. Era prefeito de Salto, na época, Pilzio Nunciatto Di Lelli, que prestou o reconhecimento da cidade a uma senhora que deu um belo exemplo de vida, conseguindo criar seus filhos, graças ao trabalho desenvolvido por ela, seu esposo e suas filhas. A inauguração da creche ocorreu no dia 30 de outubro de 1988 e em 1997 ela foi ampliada, também no governo Pilzio (segundo mandato).

Família – O esposo de Florisbela, Ignácio Xavier de Castro, quando já residia em Salto, inicialmente arrendou terras das famílias Donalísio e Sontag, onde produzia legumes e frutas para alimentar sua família, pois contava com grande número de filhos. Posteriormente ele adquiriu uma propriedade com 3,5 alqueires, que foi vendida para os saltenses Egídio Patelli, Romeu Telesi e Annibal Negri, que implantaram o loteamento que foi denominado Santo Inácio, em homenagem a Ignácio e que hoje é um grande bairro da cidade.
O casal Ignácio-Florisbela teve nada menos que 15 filhos, 9 mulheres (Maria, Olália, Candinha, Benedita, Josefa, Paulina, Ana, Tereza e Antônia, só sobrevivendo até neste fevereiro de 2022 a última e mais nova, Antônia, que está com 91 anos de idade) e 6 homens (Orlando, Joaquim, Francisco, Vitório, Antonio e Eduardo, além de um adotado, Juvêncio).
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