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QUEM FOI QUEM

  • Foto do escritor: Valter Lenzi
    Valter Lenzi
  • 7 de jul. de 2022
  • 4 min de leitura

Atualizado: 3 de ago. de 2022

Júlio Begossi: profissional competente, teve empresa referência na confecção e venda de móveis



O nome de Júlio Begossi ficou gravado nas áreas de confecção e vendas de móveis pelo fato de ter sido um profissional competente, que militou no ramo por mais de 70 anos. Começou cedo, quando tinha apenas 14 anos de idade (nasceu em 2 de setembro de 1909, em Salto), em 1923, quando fez seu primeiro banco de madeira, que existe até hoje, ornamentando a casa de seu filho Benito. Ele era filho de Sara Guerrieri Begossi e de Ivo Begossi e aos 7 anos de idade cursou o Grupo Escolar Tancredo do Amaral, simultaneamente com o curso de italiano na Sociedade Italiana Giuseppe Verdi. Pelos seus conhecimentos da língua italiana, era muito procurado por técnicos da Brasital e de outras empresas saltenses, como tradutor, para os que vinham da Itália.






Especialização – Logo após sua formação fundamental, começou a trabalhar como aprendiz de marceneiro na Marcenaria de Vitório Leone e, como se deu bem na profissão, foi aconselhado a cursar o Liceu de Artes e Ofícios, em São Paulo, no bairro do Braz, aos 18 anos de idade. Ele e seu irmão José (“Pino”) estudaram, em épocas distintas nesse Liceu, pois Júlio era mais velho que "Pino". Eles se especializaram naquela que era considerada a verdadeira casa de artesãos, na arte da marcenaria. Formado como marceneiro sênior, Júlio foi trabalhar numa famosa marcenaria da capital, comandada pelos irmãos Pelóia. A atividade fabril era totalmente voltada para a marcenaria, na fabricação de móveis, na maioria das vezes em madeira maciça - imbuia, jacarandá, amendoim e cedro, obedecendo os estilos da época - barroco, colonial e provençal. Muitas vezes a atividade fabril seguia na área da carpintaria para confecção de portas e janelas.

Júlio trabalhou até a época de crise econômica no país, a chamada "crise do café", por isso ele e seu irmão voltaram para Salto, quando tentaram dar continuidade às suas trajetórias profissionais.



A bancada de madeira, utilizada durante muitos anos e um exemplo do capricho na arte utilizada na confecção dos móveis

Com o irmão e pai – Inicialmente, surgiu a firma Júlio Begossi & Irmão, em 1931, que começou fabricando móveis de madeira de lei. Como não havia facilidade para a compra de máquinas, que só podiam ser importadas, faziam os móveis de forma rudimentar, utilizando as ferramentas comuns, como serrotes, plainas, goivas, formões, etc. Já naquela época Júlio e “Pino” se esmeravam na fabricação dos móveis, a maioria dos quais durava muitos anos, para satisfação dos que os haviam adquirido. Em 1932, quando aconteceu a Revolução Constitucionalista, “Pino” teve que se afastar da empresa, pois foi convocado para servir as Forças Armadas. O pai de Júlio, Ivo Begossi, assumiu o seu lugar, surgindo a Ivo Begossi & Filhos, na esquina da Rua José Galvão, com a Rua Marechal Deodoro, complementando a continuidade do Hotel Saturno, de propriedade de Saturno Begossi, irmão mais velho de Ivo. O pai dos dois irmãos, apesar de sua idade avançada, procurou dinamizar e modernizar a empresa, importando máquinas e motores adequados para seu funcionamento. Com isso foi possível aumentar o número de funcionários, tendo participado de um desenvolvimento no comércio de móveis, com expansão inclusive para cidades vizinhas.



Marceneiros e aprendizes - Júlio e “Pino” eram os marceneiros e os aprendizes Paulo Merlin (Mudo) e Valdir Brabo (que mais tarde, com Luiz Tito Vanucci, fundaram a própria marcenaria). Foram funcionários dessa fábrica de móveis: Norival Buglia, Luiz Speroni, Valdir Brabo, Diorand Og Garcia, Paulo Merlin (Mudo) e Ivo Begossi Neto (“Pipe”). Outros aprendizes se tornaram marceneiros: Reinaldo Pavanelli, Oswaldo Dalla Vecchia e muitos outros que adotaram profissões diversas. As máquinas da primeira fábrica eram: serra de fita, desempenadeira, tupia e furadeira, todas ligadas a uma mesma linha de transmissão.

A atividade fabril era mais voltada para a carpintaria – portas, janelas, estruturas de telhados, assim como móveis maciços e elaborados com muita arte, como guarda-roupas, mesas especiais, camas, cadeiras com madeiras nobre, como imbuia e cedro.


Funerária – Nesse período inseriu-se a fabricações de caixões mortuários, revestidos em tecidos, confeccionados sob medida, após o óbito e retirados pelos parentes e amigos do falecido(a). Surgiu, então, a Funerária Begossi, que tinha como concorrente uma outra funerária saltense, a da família Castellari. Ela existiu até 2002, quando foi transferida para a Funerária Saltense, que é a única existente hoje na cidade.



Fachada da Móveis Begossi em seu último endereço (Rua Dr. Barros Jr., 165) e interior da loja que funcionou até 2012

Sequência – Após a 2ª Guerra Mundial, a fabricação de móveis passou por um processo de evolução, quando a construção de jogos de quarto e sala atendia aos estilos barroco e provençal, O primeiro, com guarda-roupas, cama, mesa de cabeceira e pixexê (penteadeira), o segundo com mesa, cadeiras, poltronas, buffet, etagère e cristaleira. Logo depois “Pino” mudou-se para São Paulo e continuou atuando no mesmo ramo do pai, enquanto Ivo vendeu a sua parte para Júlio, que no mesmo local ficou por mais três anos (1954). A partir de então, Júlio fundou a Fábrica de Móveis Begossi, à Rua Dr. Barros Jr., 165, tendo a funerária em anexo. A empresa passou a ser mais estruturada, não somente em equipamentos específicos, como também motorizada (Kombi). Essa firma, a partir de 1962, passou a chamar-se Júlio Begossi & Filhos e posteriormente Júlio Begossi & Filho.

Essas empresas viveram momentos interessantes: continuidade na fabricação de móveis de estilo, como também atendendo a construção civil na confecção de armários embutidos, armários revestidos em fórmica, com estrutura de madeira maciça (mesmo com a escassez de matéria prima).



Funcionou até 2012, mas deixou a marca de uma empresa que foi quase uma exceção na atividade da confecção e venda de móveis, ou seja, atendendo sempre com eficiência e responsabilidade. Isso, infelizmente, não é comum atualmente, quando os prazos fixados são muitas vezes desobedecidos, além da qualidade não ser a mesma de antigamente. Os Begossi, principalmente quando teve Júlio e seu filho Benito César no comando, seguiu os procedimentos respeitosos anteriores, o que explica a receptividade e o conceito que sempre teve, ganhando a preferência dos saltenses e também de moradores de cidades vizinhas.


Família – Júlio era casado com Amélia Maniero Begossi desde 8 de novembro de 1934, com quem teve dois filhos: Benito César Begossi, que colaborou com ele na direção da Begossi, por muitos anos, mantendo o conceito que tornaram a empresa respeitada através dos anos e Maria da Graça Begossi Guimarães, que também não deixou de dar seu apoio ao pai.

Ele faleceu em 24 de outubro de 1997, aos 80 anos de idade, depois de uma vida de muito trabalho e dedicação.



Júlio e Amélia com seu filho, professor Benito César (no destaque) e a bênção do monsenhor Mário Negro ao casal, por ocasião da comemoração dos 50 anos de união

 
 
 

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